Passei na roleta e sentei logo depois da cadeira do trocador. Muitas pessoas desceram. O lugar do meu lado ficou vago.
Entrou a vendedora de bala. Sentou do meu lado. Foi aí que começou a minha participação no romance alheio. Sentada na cadeira da janela, eu fiquei presa no diálogo dos dois. O trocador e a vendedora de balas não paravam de conversar. Se olhavam. Era lindo!
Problema era que, quando tentavam encostar um no outro, esbarravam no meu braço. Era difícil fingir que não estava ouvindo a conversa. Eu bem que tentei. Música alta direto no ouvido. Mas eles falavam mais alto ainda. Fiquei sem graça de mudar de cadeira. Não queria passar fisicamente no meio do romance.
Ela resolveu ir até o ponto final e não desceu no ponto em frente a sua casa. Ele riu, sem graça, mas não desfez o convite.
Desci um ponto antes de ver o desfecho. Mas também, chega, né? Eu já tinha visto mais do que era da minha conta...
Revoltante foi saber que, vendendo bala no ônibus, ela conseguiu comprar um celular com o qual passa o dia todo ouvindo música. Por que é que eu trabalho 10 horas no meu dia?
Escrito por cacavel às 22h37
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