a incrível mulher que encolheu (mais!)
"Chega um tempo em que não se diz mais: Meu Deus.
(...)
Chegou um tempo em que não adianta morrer."
Carlos Drummond de Andrade
Sabia-se pequena. Sabia-se menor do que os demais desde que se soube. Por mais que crescesse, cresciam também os outros. Crescia o mundo, cresciam as distâncias, cresciam os problemas. Depois de um tempo, as pessoas pareciam ter estagnado em seus tamanhos. Todo o resto parecia manter-se em seu lugar. Mas a impressão passou. Tudo voltou a crescer ainda mais rápido. E ela se viu encolher. O cansaço a consumia. Já não adiantava lutar contra o iminente desaparecimento e o eminente mundo a assustava. Seus últimos atos desesperados foram do alto da esfera de uma caneta.
Jornais de todo mundo procuravam pela mulher que encolhia. Tinha sido vista, pela última vez, tentando correr de uma lagartixa. Meses se passaram e se esqueceram dela.
Talvez não esteja o mundo todo errado.

Escrito por cacavel às 00h14
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