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| Domingo , 20 de Fevereiro de 2005 |
férias
tá, tirei férias do blog. tô sem saco pra isso agora. vai entender, né? eu pago pau pra quem faz isso (é, amore, eu te enchi o saco...) e depois faço igual. liri, né? mas é isso, agora tô de férias. volto um dia desses.
Escrito por cacavel às 10h47
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| Segunda-feira , 14 de Fevereiro de 2005 |
Sinal Fechado - Paulinho da Viola
Olá, como vai ? Eu vou indo e você, tudo bem ? Tudo bem eu vou indo correndo Pegar meu lugar no futuro, e você ? Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranquilo, quem sabe ... Quanto tempo... pois é... Quanto tempo... Me perdoe a pressa É a alma dos nossos negócios Oh! Não tem de quê Eu também só ando a cem Quando é que você telefona ? Precisamos nos ver por aí Pra semana, prometo talvez nos vejamos Quem sabe ? Quanto tempo... pois é... (pois é... quanto tempo...) Tanta coisa que eu tinha a dizer Mas eu sumi na poeira das ruas Eu também tenho algo a dizer Mas me foge a lembrança Por favor, telefone, eu preciso Beber alguma coisa, rapidamente Pra semana O sinal ... Eu espero você Vai abrir... Por favor, não esqueça, Adeus...
Depois dessa música, nada a declarar...
Escrito por cacavel às 21h50
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| Quinta-feira , 10 de Fevereiro de 2005 |
das fofocagens de homem...
Sim, homens são fofoqueiros. Isso eu já sabia, mas nos últimos tempos venho juntando provas e hoje posso afirmar com conhecimento de causa: homes fofocam mais do que mulheres!
Você, mulher, faça o teste também. Converse com um conhecido que tenha algum amigo em comum com você (ou mesmo com um outro homem). Conte pra ele algo que possa lhe chamar atenção (não adianta contar sobre sua nova Levi's, em geral eles não registram essas informações). Dê um prazo mínimo para que a notícia chegue ao amigo comum. Agora é só dar uma deixa pra que a fofoca encerre seu caminho.
Por incrível que possa parecer, os homens conseguem que a rede de fofocagem funcionem sem auxílio do telefone. Fofoca masculina é muito mais evoluída, já que é usada com menos pudor. Homem não percebe (e se percebe se faz de bobo) que fofoca. E depois vem com o discursinho cara-de-pau "mulher é que sustenta revista de fofoca". Pode até ser, mas homem bem que gosta quando tem uma dessas na sala de espera. Eles podem alegar que não falam mal das roupas dos outros, e eu vou alegar que eles fazem muito pior. Contam coisas que não são da conta de ninguém pra quem não deviam, com a boa e velha desculpa "nossa, nem pensei que fulano não pudesse saber disso".
Aí, nós, sem imaginar o tamanho da rede fofocal, comentamos algo como: ah, mas fulaninha engordou depois que terminou com fulaninho. Em menos de uma semana a Fulaninha te odeia porque ficou sabendo que você a chamou de baleia encalhada.
Por isso, cuidado, meu bem: homem fofoca que é uma beleza! Mas eles têm a vantagem de seguirem instruções. Se você avisar que fulano não pode saber que você disse isso eles obedecem. Mas acabam contando por amigo do fulano... As instruções devem ser pensadas com antecedência.
Ah, se alguém quiser as provas, mando por email.
Escrito por cacavel às 13h08
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| Segunda-feira , 07 de Fevereiro de 2005 |
Amor-rolimã - de Xico Sá
Só há um tipo de amor que vale a pena: o amor-rolimã, ou amorolimã, amorrolimã, decidam aí a grafia enquanto eu me despradonizo todo na tentativa da boutade perfeita. O amor que deixa os joelhos e os cotovelos à mercê de merthiolate e dor. Calçada de cimento tosco, calçada em areia grossa, calçada em concreto ou em pedrinhas de brilhante para quando o meu amor passar.
Sair de um amor é deixar de brincar de rolimã. Pena que agora não dê mais pra pedir penico às nossas mães – embora o buraco-mor d´alma ainda venha delas. Mas a dor agora também é só nossa, só dividimos com o Édipo ao longe, platônico, meu Deus, perdido na poeira dos gregos e caetés.
O amor rolimã é todo escoriações, sanguinho novo e vivo a escorrer, sangue que desce pela perna, joelho, batata, pé, e lá embaixo escreve o nome da desalmada em garrafais. O amor rolimã é sempre ladeira abaixo, rolamento oleado, viagem vertical, japão da dor.
Desvios nas calçadas, nonada, asfalto quente, cair de boca, beijar como o papa o chão dos estrangeiros d´alma. Perder os dentes ali mesmo, numa manobra orgulhosa, narciso precoce de todas as quedas. Mercúrio cromo, dor mais vermelha, será física ou será daquelas?
Dói aqui, ó, pontada no estômago, como um boxeur que adivinha o golpe, que prescreve a corda e a coreografia do nocaute. Amor de rolimã é que é amor, amor-rolimã dói demais.
Calçada ladeira abaixo, cair de boca, cair de peito, rasgar as vestes e a capa mentirosa do que tiver mais próximo. Faísca nas rodinhas, como golpe de samurai, os rolamentos na pista, o incêndio das horas, a descida mais assassina, sai do meio, lá vai, lá vamos, lá vai, fodeu, até quando?
Escrito por cacavel às 00h00
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| Domingo , 06 de Fevereiro de 2005 |
Um homem velho e suado de pé; um outro, mais novo, sentado falando alto com o amigo que estava muito perto pra tanta altura; duas mulheres com crianças voltando do parque e cheias de bolsas e balões; as crianças das duas mulheres (três ou quatro) empurrando as pernas dos outros adultos e gritando (claro!); um barulho constante do controle de velocidade; um cheiro de esfirra do habib's que vem do banco da frente; janelas fechadas por conta de uma chuva que não vai cair; um calor sufocante; outra criança com uma lata de refrigerante derramada por todo o banco; duas secretárias de uma mesma firma fofocando, uma no banco do lado, outra no banco de trás; de ponto em ponto a voz do trocador grita: a do meio aí, motô; um trabalhador braçal (eufemismo é tudo na vida) que jogou perfume (tá, é avanço) por cima do suor; um ex-viciado em drogas e atual viciado em Jesus fazendo uma "palestra"; três telefones celulares que tocam jota quest e coisas do gênero; freiadas insanas e barulhentas que quase jogam pessoas porta afora; gritos histéricos de alguém que tenta vender balas no trânsito...
Tá com saudades de pegar ônibus todo dia? Eu não!
Escrito por cacavel às 22h45
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| Quarta-feira , 02 de Fevereiro de 2005 |
Às vezes tenho saudade de coisas que me aconteceram anos atrás. Que hoje não fariam sentido, e que eu não quero que aconteçam nunca mais. Mas foram coisas boas naquela hora, naquele lugar. Aí, eu lembro desse texto da Adélia Prado que sabe explicar muito melhor tudo o que eu sinto. Ela me conhecia e nem sabia...
O vestido
No armário do meu quarto escondo de tempo e traça
meu vestido estampado em fundo preto.
É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas
à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocálo, volatiliza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.
Escrito por cacavel às 21h59
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